Portugal 1 - 7 Real Massamá
Portugal (Sub-19 femininos) 1 - 7 Real Massamá (Iniciados A).
PORTUGAL: Patrícia Morais (Raquel Miranda 30'; Joana Gomes 60'); Cristiana Gonçalves, Bruna Morais (Verónica Macedo 18'; Raquel Infante 30'), Elsa Ventura (Verónica Macedo 55')e Maria João (Carolina Silva 30'); Regina Pereira (Catarina Ribeiro 48'), Daniela Alves (Catarina Silva 30') e Amélia (Marlene Gizanda 30'; Amélia 60'); Anita (Inês Cruz 30'), Catarina Alves (Sara Sá 30') e Filipa Mendes (Carla Vanessa 30'; Filipa Mendes 60'; Carla Vanessa 71').
REAL MASAMÁ: Miguel Azinheira (João 30'; Hugo Figueiredo 60'); Pires (João Sousa 40') Hélton (Avito 75'), Avito (Rúben 40') e Alistair Smith(Bernardo 40'); Aérsio (Sebastião 48'), Martinho (Guilherme 48') e Ricardo (Vasco 48'); Saído (Fábio 40'), Braima (Saído 75') e Tiago (Aérsio 75').
Árbitro: Carlos Décio.
Árbitros Assistentes: José Saraiva Santos e Nuno Rouba.
Disciplina: Nada a assinalar.
Golos: 0-1, por Saído (9'); 0-2, por Martinho (21'); 1-2, por Avito na própria baliza (32'); 1-3, por Tiago (34'); 1-4, por Braima (42'); 1-5, por Braima (64'); 1-6, por Braima (73'); 1-7, por Aérsio (87').
Melhores em Campo: Braima e Regina Pereira.
Crónica:
Foi apenas um jogo de treino mas que ambas as equipas levaram muito a sério. Desde dia 1 do presente mês que a equipa portuguesa está reunida no Jamor para mais um estágio de preparação. A equipa do Real Massamá está em pré-época e mostrou estar preparado para a temporada que se avizinha, contando inclusivamente com dois jogadores que já representaram o Sporting (Miguel Azinheira e Alistair Smith).
Visto ser apenas um treino, o jogo foi dividido em três partes de 30 minutos, com intervalos de 10. Houve muita rotação de atletas, especialmente da parte da selecção nacional, o que afectou, em parte, a qualidade e a fluidez de jogo.
As duas equipas alinharam em 4-3-3 com pequenas nuances tácticas. O Massamá tentou sempre utilizar um futebol apoiado, com os dois alas, Braima e Saido, a terem a função de transportadores de bola. Quando um tinha a bola, o outro tentava acompanhar o ponta-de-lança na área, desdobrando a equipa para um 4-4-2. A equipa feminina utilizou dois trincos, Regina e Daniela, com Amélia mais à frente, fechando o triângulo do meio campo. Catarina Alves e Anita, na lateral ofensiva, tinham a função de balancear o jogo atacante da equipa portuguesa, transformando a táctica num 4-2-3-1, ocupando bem o campo, em toda a sua extensão.
Defesa desconcentrada
O jogo começou com a equipa das quinas a fazer pressão a meio-campo, tentado travar a velocidade dos extremos do Real Massamá. Mas os jovens não se intimidaram, tendo assumido as rédeas do jogo. Ainda não tinham decorridos dez minutos de jogo quando a defesa da selecção é facilmente batida pela troca de bola do adversário e Saído só teve que encostar para a rede.
A história do jogo quase se poderia resumir à dos golos. E foram bastantes. O Massamá não se contentou com o golo madrugador e continuou à procura do segundo. O nervosismo e falta de entrosamento da selecção nacional não permitiam que esta saísse com a bola jogável. Ao minuto 21, Martinho pegou na bola a meio do meio-campo adversário, penetrou na área e com um remate forte fez o 0-2.
O primeiro intervalo chegou e parecia ter feito bem às portuguesas. Apenas dois minutos após o recomeço da partida, numa jogada de insistência, a bola sobra para o guarda-redes do Real. Este, opta por pontapear a bola, que caprichosamente embate no defesa da sua equipa e rola lentamente para o fundo da baliza. O jogo parecia relançado mas, apenas dois minutos mais tarde, numa perda de bola no centro do terreno por parte da selecção nacional, Aérsio assiste Tiago que, com uma recepção fenomenal tira uma adversária do caminho e coloca-se frente a frente com a guarda redes e remata rasteiro para o canto direito.
O show do menino
Regina mostrava ser a mais inconformada da equipa portuguesa. Tentava pegar no jogo e levá-lo para o ataque, apoiava Cristiana no duelo com o extremo-esquerdo e ainda fechava o meio-campo das investidas de Martinho. No entanto, a partir do minuto 40 isso deixou de ser suficiente. O pequeno Braima ouviu uma reprimenda do seu treinador por ser demasiado individualista e encontrou o "seu jogo". O Real Massamá continuou com a mentalidade ofensiva, mandou uma bola ao poste e após mais uma jogada de envolvimento, a guarda-redes nacional não conseguiu socar a bola, que sobrou para Braima encostar e fazer o 1-4.
Após o golo as substituições sucederam-se , mas a tendência do jogo manteve-se. A equipa das quinas "quebrou" fisicamente, deixando muito espaço entre o sector intermediário e o ataque. Os "meninos" conseguiam aproximar-se cada vez com mais perigo da área adversária. Quatro minutos depois do segundo intervalo o Massamá faz um contra-ataque rápido. Tiago descai para a direita assistindo Braima à entrada da área que remata forte e não perdoa.
A toada manteve-se e à passagem do minuto 73 Braima pega na bola junto à linha de fundo, finta duas adversárias e, de ângulo apertado remata em jeito, surpreendendo Joana Gomes, que ocupava a baliza nacional. Mas o momento mais bonito do jogo estava guardado para o final. Aérsio, que havia reentrado há pouco para o lugar de Tiago, recebe a bola no seu meio campo, galga alguns metros e remata forte a cerca de 20 metros da baliza. Um "golaço" como dita a gíria futebolística.
Análise individual (Portugal):
Patrícia Morais - Esteve insegura nos primeiros minutos. No final da primeira parte ainda teve oportunidade para uma boa defesa a remate de Tiago.
Raquel Miranda - Foi a mais segura das guarda-redes nacionais. Mas não conseguiu escapar à capacidade ofensiva do Massamá.
Joana Gomes - Terá sido mal batido no último golo. Segura a fazer a "mancha a remate de Saído.
Cristiana Gonçalves - Protagonizou com Braima o duelo mais animado da manhã. Quando saiu, o extremo teve mais espaço.
Bruna Morais - Saiu com quixas na coxa após corte de bola. Batida no primeiro golo.
Verónica Macedo - Fez várias posições na defesa e fez o que podia. Muitas dificuldades a parar o jogo do Massamá.
Raquel Infante - Segura no jogo aéreo e com a bola nos pés.
Elsa Ventura - Foi o pilar da defesa. Pouco mais podia fazer frente a tão "endiabrados" adversários.
Verónica Macedo - Cumpriu na defesa.
Maria João - Bem a travar Saído. Os problemas surgiram quando Braima trocou para o seu lado.
Carolina Silva - Dificuldades com a velocidade dos adversários.
Regina Pereira - A melhor da equipa das quinas. "Apagou fogos" a meio-campo, tentou sair com a bola controlada para o ataque e ajudou Cristiana a segurar Braima.
Catarina Ribeiro - Entrou com a equipa a decair. Não entrou bem no jogo.
Daniela Alves - Tranquila mas demasiado discreta.
Catarina Silva - Segurou Aérsio mas teve problemas quando o Massamá reformulou o sector intermediário.
Amélia - Não conseguiu transportar a bola como a equipa precisava. Esforçada a defender.
Marlene Gizanda - Não conseguiu pegar no jogo como deveria.
Anita - Lutou bastante e foi das mais inconformadas. Teve bons apontamentos mas jogou muito afastada da baliza.
Inês Cruz - Nada acrescentou ao jogo.
Catarina Alves - Alistair não a deixou atacar mais mas lutou muito. Faltou receber a bola em condições.
Sara Sá - Bom controlo de bola e bons passes de ruptura.
Filipa Mendes - Perdida no meio dos centrais. Tentou recuar para pegar no jogo mas a bola raramente chegou em condições. Saiu aos 71' minutos (pela segunda vez) após um violento choque.
Carla Vanessa - Os centrais cortaram todos os lances de perigo que poderia gerar.
Declarações (Mónica Jorge):
"Foi um bom treino para nós. O Real Massamá é uma equipa experiente que acabou em 4º lugar do nacional. O resultado era o que interessava menos. Queríamos ver como a nossa equipa respondia em termos de agressividade, jogando com alguém com uma intensidade muito superior."
"Há três dias que andamos a fazer treinos bi-diários para manter níveis físicos. Mesmo apesar de rodarmos algumas jogadoras era impossível jogar com muita intensidade os 90 minutos. Estes jogos são importantes também para dar a estas jogadoras mais capacidade de choque e ritmo competitivo."
"É uma equipa de futuro. Faltam aqui quatro ou cinco jogadoras importantes na equipa. Têm uma média de idades muito baixa. A maioria delas ainda vai estar nos sub-19 mais dois anos."
Texto: Luís Santos Silva.