Futebol – Vitória «arrancada a ferros» mantém Sporting firme no 2.º lugar
O Sporting alcançou esta noite uma vitória bastante suada, por 1-0, ante o Marítimo, no último jogo agendado para hoje no âmbito da 24.ª jornada da Superliga portuguesa de futebol.
A vitória leonina foi carimbada já na parte final do encontro, por intermédio de Beto, na marcação de um livre directo cobrado de forma exemplar. Um «tiro» na falta de ideias com que o conjunto verde e branco se debateu durante grande parte do encontro para ultrapassar o Marítimo e que acabou por garantir três preciosos pontos aos comandados de Fernando Santos numa noite desinspirada e em que o melhor acabou, mesmo, por ser o resultado...
Os primeiros minutos deixaram no ar a indicação de que o Sporting estava preparado para decidir o jogo cedo. A equipa entrou em campo a jogar com velocidade, aproveitando a mobilidade de Liedson para tentar abrir espaços na defensiva insular. Aos três minutos, Silva surgiu solto à entrada da área a cabecear, forçando Marcos a boa defesa para canto.
Só que esse primeiro sinal acabou por se revelar enganador. E muito por culpa, diga-se em abono da verdade, de um personalizado Marítimo, que veio a Alvalade fazer o «seu jogo», de forma serena, transpirando tranquilidade e gerindo as incidências da partida com grande à vontade.
Com o meio campo bem povoado e a conceder poucos espaços aos «pensadores» do futebol sportinguista, a equipa verde-rubra raramente concedia oportunidades ao leões para se acercarem da sua baliza. E quando esse primeiro «tampão» falhava, a linha defensiva – bem comandada por Pepe – ia conseguindo «secar» os avançados contrários.
O tempo de jogo passava sem que o Sporting conseguisse assentar o seu jogo e, consequentemente, a equipa de Cajuda ganhava confiança, tornando-se mais atrevida e explorando com cada vez maior acutilância o contra-ataque.
Foi, por isso, sem grande surpresa que os derradeiros minutos da primeira parte acabaram com o Marítimo mais instalado no meio campo do Sporting, colocando também à prova a atenção do último reduto da equipa da casa. E Ricardo, aos 44 minutos, teve de aplicar-se para desviar um bom remate de Albertino.
A toada «morna» do encontro e, sobretudo, a evidente falta de ideias que o Sporting apresentou na primeira metade, levaram Fernando Santos a decidir-se pela aposta nas entradas de Niculae e Lourenço para os lugares de Silva e Carlos Martins.
A equipa perdia a sua maior referência no eixo do ataque e abdicava de um dos seus médios criativos (Carlos Martins em noite apagada), mas ganhava maior mobilidade ofensiva, com Niculae mais descaído para a esquerda, Lourenço para o flanco oposto e o irrequieto Liedson a surgir pelo meio.
As alterações acabaram por dar resultado, nomeadamente no sentido em que obrigaram a equipa maritimista a fechar-se mais atrás, limitando o espaço de manobra dos insulares para espreitarem o ataque. Os lançamentos para os homens mais avançados escasseavam e a boa exibição de Leo Lima nos primeiros 45 minutos acabou por ir decaindo de qualidade, fruto do menor acompanhamento que tinha nas suas acções.
O Sporting, por seu turno, embora fosse mais pressionante e tentasse impor maior velocidade nos últimos trinta metros de terreno, continuava a não conseguir forma de encontrar o caminho da baliza. E nas poucas ocasiões em que o fez, a sorte também nada quis com as aspirações do Leão: Liedson, aos 54 minutos, acertou na barra após um remate à meia volta na sequência de um cruzamento de Rochemback; Niculae e Beto viram Marcos opôr-se de forma brilhante a dois remates seus após um pontapé-de-canto, aos 78 minutos.
O minuto 90 aproximava-se a passos largos e contribuia para a falta de clarividência na construção dos lances ofensivos. O Marítimo já quase só defendia, mas o Sporting também já pouco pensava o seu futebol, jogando mais com o coração do que com a cabeça.
Até que, aos 81 minutos, Beto tirou da cartola um pontapé bem colocado, na conversão de um livre directo, levando a bola a entrar junto ao poste direito da baliza de Marcos, sem qualquer tipo de hipótese de defesa para o guarda-redes do Marítimo. Suspirou-se finalmente de alívio nas bancadas do Alvalade XXI...
Estava consumado um importante triunfo e a consequente soma de mais três importantes pontos que permitem aos leões aproximar-se provisoriamente do FC Porto e alargar também a vantagem sobre o Benfica, na luta pelo acesso à Liga dos Campeões. Agora resta ao conjunto leonino esperar pelos resultados dos adversário directos, embora seguramente com a convicção de que esta foi uma daquelas noites em que, perante a pouco conseguida exibição, acabou por salvar-se um resultado «arrancado a ferros».
Ficha de jogo:
Com arbitragem do conimbricense
Mário Mendes, as equipas alinharam com os seguintes «onzes»:
SPORTING - Ricardo (Nélson, 73m); Miguel Garcia, Polga, Beto e Tello; Custódio, Rochemback, Carlos Martins (Niculae, 46m) e Pedro Barbosa; Liedson e Silva (Lourenço, 46m).
MARITÍMO – Marcos; Eusébio (Albertino, 28m), Fernando, Pepe e Briguel; Chainho, Zeca, Wenio (Bino, 62m) e Alan; Rincón (André, 68m) e Leo Lima.
Marcador: 1-0, Beto, 81m;
Disciplina: Cartão amarelo a Beto (22m), Pepe (24m), Briguel (55m), Pedro Barbosa (70m), Niculae (86m) e Miguel Garcia (90m).