coach Jorge Jesus long interview, teams with portuguese coach's are getting better results
http://www.record.pt/noticia.asp?id=782667&idCanal=27
Que se passa com a formação no Belenenses? Os jovens (Mano, Gonçalo Brandão, Carlos Alves ou Sandro Moreira) raramente têm oportunidade de jogar. Há falta de qualidade? Existe um projecto com bases ou necessita haver uma reestruturação?
Mário Santos (Lisboa)
- Dentro das condições que o Belenenses possui para o futebol de formação, porque não há muito espaço para desenvolver as capacidades de todos os escalões, penso que temos feito um aproveitamento desses jogadores, como se vê pelas presenças de Ruben Amorim e Rolando no onze. Os jogadores que refere estão em fase de adaptação técnica e táctica e acreditamos que no futuro possam ser mais valorizados.
Por que razão tem esse temperamento tão impulsivo? Não acha que deveria controlá-lo?
Vítor Manuel da Silva Gonçalves (Espinho)
- Vivo muito o jogo. Sem ser jogador de campo, ainda sinto que faço parte da equipa. A forma como vivo os jogos faz parte da minha ligação com os jogadores e com o próprio jogo. Os jogadores estão adaptados à minha forma de ser e quando não participo eles não se sentem tão motivados no jogo.
O Tribunal Arbitral decidiu que devem acabar as cláusulas de opção. Que acha que vai acontecer às “sanguessugas” que giram à volta do futebol? Vão passar a receber milhões no desemprego?
Raoul Steiner (Quarteira)
- Quando deixarem de existir cláusulas de opção, os jogadores cumprem os anos de contrato que estiverem estabelecidos. Só faz alguma confusão durante um ano ou dois, depois volta tudo à normalidade.
Por que é que em Portugal não apostam em treinadores como o Jesus ou o Cajuda para treinarem equipas grandes?
Filipe Sá Lemos Martinez (Esposende)
- Não se pode dizer que os 3 grandes não apostam em portugueses. Basta ver que, nos últimos anos, estiveram António Oliveira, Fernando Santos, Mourinho ou Jesualdo no FC Porto e se calhar por isso é que o FC Porto tem dominado o futebol português. O Benfica e o Sporting umas vezes apostam, outras não e nas contas finais, vê-se que quem ganha mais é quem aposta mais vezes em portugueses.
Apesar de ter contrato até 2010, pode assegurar-me que irá cumpri-lo e, quem sabe, na devida altura prolongá-lo?
Mário Rui (Lisboa)
- Neste momento, aquilo que posso assegurar é que tenho intenção de levar até ao fim o contrato feito com o Belenenses. Já a renovação não depende de mim, mas da nova administração. Contudo, no futebol, as coisas mudam todos os dias com facilidade e nunca direi nunca, porque tudo é passível de ser alterado.
O que tem primazia: a táctica ou as características dos jogadores? Impõe mais as suas ideias ou adapta-se de maneira a retirar o máximo das características naturais dos jogadores?
Norberto Triães (Riachos)
- As duas questões juntam-se numa só, ou seja, a táctica e as características dos jogadores só uma coisa só naquilo que é a ciência do jogo. A táctica não pode ser separada da característica dos jogadores.
Por que motivo os clubes grandes não apostam muito nos bons valores que o futebol português tem? Falo no caso do Linz, Ruben Amorim, Geromel entre tantos outros.
João Martins (Castelo Branco)
- Se olharmos, por exemplo, para o FC Porto, verificamos que determinados jogadores, que são hoje uma referência, estavam, há poucos anos, em clubes de nível médio do futebol português. O FC Porto tem a inteligência para contratar mais jogadores no mercado nacional que internacional, ao contrário do que habitualmente fazem Benfica e Sporting.
Já recebeu alguma proposta, esta época, para treinar um grande clube português ou estrangeiro?
Fábio Almeida (Lausanne, Suíça)
- Se entendermos por grande clube europeu um Real Madrid, Mancheser United ou Milan, por exemplo, não, não recebi. De clubes portugueses falou-se nalgumas possibilidades, mas a mim ninguém me abordou.
Qual a sua relação com aqueles jogadores que se setem a “ovelha negra” do balneário?
Luís Miguel Guerra Godinho (Estremoz)
- Comigo não há ovelhas negras no balneário. A relação profissional e afectiva é sempre só uma, e igual para todos, em defesa da equipa. Aqueles que se sentem “ovelhas negras” não trabalham comigo.
Estaria disponível para treinar um grande, com toda a pressão a nível da imprensa, dos resultados e dos adeptos?
Bruno Guerra (Luxemburgo)
- A nível de imprensa e adeptos é verdade que um treinador tem diariamente mais confrontos de ideias que nos outros clubes, mas isso para mim não é sinónimo de pressão, é ter capacidade para lidar com essas situações ou não.
Qual é o segredo para conseguir um balneário tão forte e unido?
Filipe Ricardo da Silva Cunha (Fafe)
- O segredo, para mim, é acreditar a 100 por cento nos jogadores e não ter receio em dizer-lhes que se cresce não só com coisas positivas, mas também com os erros. Não sou um treinador que finge que não vê ou que finge que não ouve. Em todas as situações com que me deparo, encaro os jogadores olhos nos olhos, assim se formam grupos como este, seguros e fortes.
Caso lhe fosse concedida a possibilidade de reforçar todos os sectores da equipa, independentemente do custo, e dentro do mercado nacional, quais seriam as suas escolhas?
João Gabriel (Caparica)
- Escolheria jogadores para o sector que necessita de maior criatividade numa equipa: o meio-campo e a linha avançada.
Depois da perda do malogrado Cabral Ferreira, considera que o futuro do Belenenses é animador?
Davide Sousa (Loulé)
- Penso que sim, porque o Belenenses tem todas as condições para ser um clube virado para o futuro, apesar de ter perdido, se calhar, nos últimos anos, a possibilidade de chegar aos 3 grandes. Não a nível desportivo, porque os últimos dois anos foram espectaculares, mas no capítulo das infraestruturas. Espero que a nova direcção perceba isso, acredito que sim, para poder responder à grandiosidade deste clube em termos desportivos.
Data: Sexta-feira, 11 Abril de 2008 - 11:00