Ibson
"O meu pai disse o que eu penso"
GUSTAVO ROTSTEIN, no Rio de Janeiro, Brasil
A pintura no muro da casa chama atenção. Os desenhos coloridos na fachada da residência de Ibson, obra de artistas de rua, mostram o futuro colorido que o médio do FC Porto sonha para si. O brasileiro recebeu a reportagem de O JOGO no município de São Gonçalo, Região Metropolitana do Rio de Janeiro, e admitiu que para este futuro se manter colorido deverá ser longe do Dragão.
Jogou apenas 389 minutos na época passada. Considera que poderia ter sido mais utilizado?
Acredito que sim, até porque tive poucas oportunidades.
Que razão encontra para ter jogado tão pouco?
Foi uma escolha do treinador. Ele tinha as opções dele, e o jeito foi aceitá-las.
Considera que houve algum motivo específico para ter sido pouco utilizado? Crê em algo pessoal?
Acredito que não seja nada pessoal. Ele é um treinador de uma equipa grande e, por isso, não deve ter problemas com nenhum jogador. Penso que não joguei porque não encaixava no esquema da equipa dele. Por isso, quero trabalhar mais para mostrar que o que ele pensa está errado.
Jesualdo Ferreira continuará no FC Porto, acha que isso dificultará o seu objectivo de se impor no onze titular?
Será mais um obstáculo que enfrentarei em minha vida. Tenho contrato até 2009 e preciso trabalhar para mudar essa situação. Na última época trabalhei e não consegui. Agora precisarei trabalhar a dobrar e provar que tenho condições de jogar na equipa.
O FC Porto contratou dois médios, o polaco Kazmierczak e o argentino Bolatti e parece certa a chegada do brasileiro Leandro Lima. Parece que a luta por um lugar no meio-campo vai ficar ainda mais intensa...
É sempre bom haver uma briga saudável. Não conheço o argentino e nem o brasileiro, por isso não posso falar muito. Mas jogámos contra o polaco, que é um bom jogador. Só resta um jeito: trabalhar mais. O futebol é assim mesmo.
O seu pai, Laís Silva, fez duras críticas a Jesualdo Ferreira, reclamando de sua pouca utilização. Concorda com o que ele disse?
Em grande parte, sim. Se eu tivesse jogado, teria mais chances na selecção brasileira, pois o técnico Dunga está dando oportunidades a jogadores novos. Meu pai disse o que eu penso. Todo jogador quer jogar, ninguém, que ficar no banco. Acho que tenho qualidade, quero jogar sempre. É uma situação chata. Fiz uma excelente pré-época, e estava motivado, pois quando muda o treinador, começa tudo do zero. Mas infelizmente não consegui provar que poderia ser titular.
Acha então que mostrou o suficiente para merecer jogar?
Sim. Mas só tenho que respeitar a opção do treinador, porque é ele quem manda.
Bruno Moraes, no dia em que regressou ao Brasil, acusou Jesualdo Ferreira de tratar de forma diferente os titulares e os demais jogadores do grupo. É verdade?
É uma situação complicada de comentar. Posso até pensar, mas não gosto de expressar essas coisas. Ele é o treinador, ele manda. Temos apenas que obedecer.
Qual era a relação sua com o treinador?
Ele conversava pouco comigo, é o jeito dele. Respeito, mas comigo ele conversava muito pouco.
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