Frederico Gil getting close to the top 100
:.: Jornal Record :.:
Frederico Gil: «Sei que posso fazer melhor»
A POUCOS LUGARES DE ENTRAR NO TOP 100 ATP
RECORD – Como encara o facto de ser o segundo português de sempre e estar quase dentro do top 100 mundial?
FREDERICO GIL – Foi por pouco que não consegui entrar e aquele jogo em Turim ainda está na minha cabeça: a ganhar por 6-1 e 3-1, deixei fugir a oportunidade. Tem sido um bocado duro, difícil, mas é preciso ultrapassar a situação. Há mais oportunidades.
R – Foram os nervos que o atraiçoaram?
FG – Talvez. Às vezes queremos tanto, tanto, sentimos que estamos tão perto de um objectivo com que sonhamos desde miúdos que nos deixamos levar por essa onda de ansiedade. Ainda não sei bem ao certo o que se passou, nem posso estar a pensar no passado. A única solução é esta: tenho de abstrair-me o mais possível de toda esta envolvência e continuar a fazer as minhas rotinas como se nada tivesse acontecido.
R – Além da pressão também notou algumas lacunas técnicas para ir mais além?
FG – Queremos sempre ganhar os jogos. Há encontros em que nos sentimos mais nervosos do que noutros. Sei que tenho feito um percurso evolutivo e noto em mim que há um grande espaço para continuar esta ascensão. Acabei jogos a dizer que sei que posso fazer ainda melhor.
R – Espera entrar no top 100 este ano?
FG – Não gosto de fazer previsões nesse sentido. Se entrar, tudo bem, mas já sei por experiência própria que não é fácil. Isso não depende apenas de mim. E se não entrar nas próximas semanas irei continuar a trabalhar para o mesmo objectivo. É a única saída que tenho, a de trabalhar para melhorar como sempre fiz até aqui.
R – Finalmente está à beira de entrar directo no US Open, pela primeira vez...
FG – Estou bem posicionado. Pode haver desistências e entrar directo sem passar pelas qualificações, mas gostaria imenso que isso não fosse preciso. Sei que estou bem encaminhado, mas não passa disso. Desta vez, nem vou perder tempo a olhar! Se estiver dentro do quadro principal do Open dos Estados Unidos, alguém há-de dar-me a notícia.
R – O Nuno Marques é o melhor português de sempre. Acredita que um dia pode superá-lo?
FG – Um passo de cada vez. Não estou preocupado com isso, embora saiba que o Nuno esteve como 86.º do Mundo. Quero melhorar o meu nível de ténis e ter consistência para se alguma vez entrar no top 100 mundial permanecer por lá muitas semanas, meses e não ter uma presença esporádica.
R – Teve alguma referência entre jogadores portugueses quando era mais novo?
FG – Não. Lembro-me de ir ao Estádio Nacional ver o Nuno Marques quando ele bateu o Alberto Berasategui no Estoril Open. Tinha 10 anos, mas não vi qualquer jogo do meu treinador, Cunha e Silva. A partir do momento em que comecei a crescer como jogador eles deixaram de jogar e não havia quem puxasse a carroça ou tivesse um efeito mediático para os jovens.
R – Que tal é a ideia de não defrontar Marcos Baghdatis para a Taça Davis?
FG – Se ele viesse estaria preparado, mas a sua ausência não significa que já temos a eliminatória do nosso lado. Somos mais favoritos, nada mais do que isso. Mas os jogos da Taça Davis carregam sempre uma grande responsabilidade. É excelente voltarmos a jogar em casa!
Autor: NORBERTO SANTOS