Boavista financial problems, could put at a end on one of the historic teams in the sport
O Norte Desportivo Online
SITUAÇÃO BOAVISTEIRA É DRAMÁTICA E AINDA MAIS NO FEMININO
OU MUDA, OU ACABA
A duas rondas do fim do Campeonato ninguém abordou a secção feminina acerca do futuro. A preocupação é clara, a situação dramática e a esperança muito ténue. Certo é que nas habituais condições as saídas podem dar-se em debandada.
Sílvia Soares
silvia.soares@onortedesportivo.com
É pública a situação dramática em que se encontra o Boavista e a equipa feminina, liderada pela técnica Maria João Neves, não está indiferente e tem consciência que as modalidades amadoras vão sofrer. O futuro é uma incógnita e a duas jornadas do fim do Campeonato Nacional, incluindo a de amanhã, ninguém abordou a, também, directora do conjunto. A angústia do fim paira no ar e bate nos corações de quem tem lutado por dignificar, não só a modalidade, como o clube, mas ninguém sabe como vai ser a temporada 2008/2009. “Estamos muito preocupados, como é evidente. O futuro é um ponto de interrogação. Garantido é que até final da época vai continuar a honrar esta camisola”, desabafa Maria João.
A técnica assegura, contudo, que “é urgente mudarem-se as condições”, caso contrário, “dificilmente haverá equipa na próxima época”. E explica: “Somos a equipa com as piores condições da Primeira Divisão. Não é fácil captar atletas para jogarem no Boavista quando treinamos e jogamos no Ramaldense e nem verba temos para ajudar as jogadoras nos transportes. Por isso, algo tem que mudar, caso contrário, nem como directora me quero sujeitar mais a isto. Chegamos a esta altura, e desde a segunda volta, e temos apenas 11 jogadoras. Nada mais. A situação actual é pior do que a que eu vivi enquanto joguei neste clube”.
A treinadora e directora lamenta “toda a situação”, até porque, como confessa “o Boavista é o meu clube do coração”, mas com os pés assentes na terra analisa: “Se com a equipa sénior masculina no escalão principal as dificuldades são conhecidas, se se confirmar a descida, tudo se vai complicar ainda mais. Além disso, são muitas as modalidades amadoras que o clube tem. Por isso,
ou isto muda, ou tende a acabar”.
Numa altura em que admite que a próxima época já devia estar a ser preparada, Maria João vai deixar o Campeonato terminar – “objectivo é manter o segundo lugar” – e só depois do encontro de solidariedade que a equipa vai fazer a Gouveia (por sua conta) frente ao 1.º de Dezembro é que vai, se não for entretanto abordada, solicitar uma reunião para falar do futuro.