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Das Origens à fundação
As origens do futebol na ilha Terceira remontam ao início do século XX quando se disputaram os primeiros jogos, em que foi utilizada uma bola que veio de Inglaterra, nos terrenos do Relvão, com a baía de Angra do Heroísmo e as muralhas do Castelo São João Baptista como cenário de fundo.
As primeiras partidas do jogo que nasceu em Inglaterra em 1855 e que vinte anos depois chegou a Portugal, mais propriamente à Camacha, na Ilha da Madeira, eram efectuadas por grupos de entusiastas sem que houvesse ainda clubes com uma estrutura definida.
O entusiasmo pelo futebol na Terceira foi crescendo nos anos seguintes tendo surgido então as primeiras equipas organizadas, o que motivou a criação da Associação de Foot-Ball de Angra do Heroísmo a 4 de Agosto de 1921.
Nessa altura já existia a União Desportiva dos Empregados do Comércio, um dos mais antigos clubes de futebol da Terceira e que esteve na origem do Sport Club Angrense. Trata-se de um clube que equipava com as actuais cores do Sport Club Angrense e que, durante muito tempo, só aceitou jogadores que estivessem ligados ao comércio, mas que mais tarde contou nas suas fileiras com praticantes de fora da classe por dificuldades de recrutamento de bons valores.
O interesse pelo futebol crescia de ano para ano, o que permitiu a construção do Campo de Jogos de Angra do Heroísmo, o primeiro recinto do género da ilha inaugurado a 24 de Junho de 1924.
Devido a desavenças com a direcção da associação de classe dos Empregados do Comércio, a União Desportiva acabou por ser extinta, abrindo caminho para o surgimento de diversas equipas, entre as quais o Club Desportivo Angrense (também conhecido como “Os Caveiras”) e o Sporting Club da Terceira, uma agremiação que nos primeiros anos de existência se dedicava apenas à prática da educação física e tinha a sua sede no antigo Convento da Graça, no Alto das Covas, local onde ficou decidida a fundação do Sport Club Angrense, a 22 de Novembro de 1929. A iniciativa da fusão dos dois clubes, ambos criados por antigos elementos da União Desportiva mas que nessa altura atravessavam momentos difíceis, partiu do Sporting Club da Terceira.
A data oficial da fundação do Sport Club Angrense é 1 de Dezembro de 1929. Os Estatutos do clube, que ainda estão em vigor, foram aprovados pelo governador em exercício do Distrito Autónomo de Angra do Heroísmo a 16 de Janeiro de 1942.
Uma carta da Comissão Administrativa assinada pelo presidente, tenente Gil Gonçalves, datada de 2 de Dezembro de 1929 e publicada no bi-semanário angrense “A Pátria” a 14 de Dezembro do mesmo ano, dá conta da criação de um novo clube em Angra do Heroísmo.
A primeira Comissão Administrativa ficou constituída da seguinte forma: Presidente, tenente Gil Gonçalves; Vice-Presidente, Jacinto da Câmara Teixeira; Tesoureiro, António Mendes Linhares; 1º Secretário, Armando Magalhães de Mendonça; 2º Secretário, José Elias do Amaral; Vogais, António Lino dos Santos Ramos Moniz e José Correia Berbereia.
Na mesma edição do jornal “A Pátria” é publicada uma Nota Oficiosa da Liga de Educação Física e da Associação de Foot-Ball sobre as suas reuniões de 21 de Novembro e 4 de Dezembro, onde se dá conta da seguinte deliberação: “Inscrever nesta Associação o novo agrupamento Sport Club Angrense, resultado da fusão do Sporting Club da Terceira e Club Desportivo Angrense, conforme o respectivo pedido”. Na mesma reunião do organismo máximo do futebol terceirense ficou ainda deliberado atribuir ao Angrense como dias de treino no campo de jogos da cidade as terças, quintas-feiras e sábados e marcar a abertura da época desportiva para 22 de Dezembro com um encontro entre as primeiras categorias do novo clube e do Lusitânia Sport Club.
O jogo de estreia contra o Lusitânia, clube que nas décadas seguintes passou a ser o seu grande rival e que tinha sido o campeão da Terceira na época anterior, terminou com uma vitória por 4-3 para o Angrense, que alinhou com a seguinte equipa: José C. da Silva Freitas (José Baptista), Pedro José Pimentel (Pedro Brasileiro) e Mário Pereira de Aguiar; José Luís Gonçalves (José das Terras), Eugénio Pereira de Aguiar e Ildefonso Borges; Manuel Serpa Bulcão, Manuel Pereira, António Lino dos Santos Moniz, João Borges e José António Ávila.
Os golos do Angrense foram marcados por Manuel Pereira, João Borges (capitão de equipa) e António Lino (dois).
A partida foi dirigida pelo árbitro Eugénio de Noronha, presidente da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo na época e que havia concedido anos antes um empréstimo à Liga de Educação Física destinado à construção do Campo de Jogos de Angra do Heroísmo. Na apreciação às incidências do jogo de estreia do Angrense, o vespertino “A União” de 26 de Dezembro escreveu o seguinte na sua secção desportiva: “Deve-se sentir ufano o «Sport C. Angrense» pela vitória obtida, pois foi prémio justificado do seu esforço. Não durma agora sobre os louros obtidos, para que amanhã não tenham que lamentar-se; trabalhem sempre, porque só pelo trabalho se consegue bons resultados”.
Nesse primeiro jogo, o Angrense equipou com camisolas vermelhas e pretas com riscas verticais e calções pretos, assumindo assim as cores do Sporting Club da Terceira, que equipava com camisolas vermelhas e calções brancos, enquanto que o Club Desportivo Angrense tinha como cor da totalidade do equipamento o preto.
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